
Do Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá temos a seguinte definição “Os símbolos já afirmavam provérbios antigos, encerram idéias e as representam, valendo mais que cem palavras”.
Os ideogramas, ainda insubstituíveis em alguns idiomas, em algumas crenças, continuam atravessando os milênios e, algumas ciências, cada vez mais poderosamente se aninham, como nas matemáticas, para estabelecer uma linguagem singular.
INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA DO ANEL.
Os símbolos dão-nos liberdade de pensamento quando visam representar algo demasiadamente abrangente. Por tudo que se pode conhecer de Mercúrio e do Caduceu, é possível admitir que os Contadores tomaram tal simbologia para significar que:
1. Assumimos o papel de protetores por meio da informação ágil e de sua interpretação (por analogia com a arte de prever, que era atributo de Mercúrio), dando condições para eficácia da riqueza.
2. Não vivemos nas evidências das manchetes, mas no quase anonimato, tomamos conhecimento de tudo e estamos em toda parte (toda célula social tem um ou muitos Contabilista), sendo-nos confiadas importantes e constantes missões (tal como se fazia a Mercúrio).
3. Conseguimos controlar todo o comportamento das gestões por meio de nossos métodos, assim como Mercúrio, que, ao colocar seu capacete, tornava-se invisível e controlava as ações dos homens, guardando sigilo sobre o que fazia pelo fato de ocultar-se materialmente.
4. Utilizamos em alta dose os recursos mentais e intelectuais para dominar uma ciência complexa e só plenamente conhecida pelo uso da razão, com a máxima energia, com o uso de rara inteligência, mesmo que seja iniciar nossas práticas (tal como a mitologia sugere a vida de Mercúrio)
5. Estaremos sempre extremamente ocupados se desejamos, com proficiência, exercer a profissão, pois as tarefas mais delicadas e sigilosas da administração nos são confiadas (tal como acontecia com o ocupadíssimo e diligente Mercúrio).
6. A velocidade com que ocorrem as práticas na vida das empresas e das instuições requer de nossa parte uma presença que nos obriga à agilidade e à vitalidade, tal como o Caduceu a garantia a Mercúrio, como arauto dos deuses.
Tais considerações, feitas por associação de idéias, oferecem a justificativa da propriedade com que se escolheu tal simbologia e o quanto devemos sempre ter em mente sobre nossas responsabilidades éticas.
A PEDRA DO ANEL
Existem divergências quanto à cor da pedra do anel do Contabilista, e há os que desejam estabelecer uma para o Técnico em Contabilidade, a pedra rosa, e outra para o Contador, a pedra azul. Pela tradição, vivendo a historia dos Conselhos desde que nasceram, a origem da pedra do anel do contabilista é de cor rosada, sendo ela um rubislite, segundo afirma o Professor Ynel Alves de Camargo.
Essa escolha decorre da influência do Direito sobre a Contabilidade, que foi muito grande nos séculos passados; sendo a pedra do advogado vermelha, a do Contador deveria ter a mesma coloração, em outra tonalidade, pois se entendia a profissão mais atada ao ramo do conhecimento jurídico (até hoje as legislações fiscal, previdenciária, trabalhista, comercial, civil e administrativa muitos ocupam a ação profissional quotidiana e prática dos Contabilistas). Essa hipótese alimenta-se com a própria tábua da lei que inseriu também como símbolo em nosso anel. Só a partir das idéias da doutrina materialista é que se estendeu que a Contabilidade e o Direito possuem bem distintos, métodos e finalidade de estudo, justificando, pois também, simbologias distintas.
O Conselho Federal de Contabilidade, ao adotar como recomendável o uso da pedra rosada para o anel, prendeu-se às origens, fato que se estende compatível com o que é simbólico, pois, em realidade, as cores, as figuras, como associação de fatos, estão atadas a uma tradição. O importante era que se definisse a questão e isso foi feito pelo CFC com respeito à ética e a uma história muito própria