A contabilidade brasileira ocupou posição de destaque no cenário internacional durante o Summit – Inovação e Desenvolvimento Socioeconômico, realizado nos dias 30 e 31 de março em Lisboa, Portugal. O encontro, idealizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), reuniu representantes dos setores público e privado, autoridades do Judiciário, especialistas internacionais e lideranças empresariais para debater soluções estruturantes voltadas ao crescimento econômico, à governança e à transformação digital.
A iniciativa reforça o protagonismo do CFC na projeção da profissão contábil além das fronteiras nacionais, posicionando o Brasil como referência em debates sobre modernização normativa, finanças públicas e economia de dados.
Contabilidade como instrumento de controle institucional
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ressaltou a importância estratégica da contabilidade para a estabilidade das instituições, afirmando que a profissão “permite revelar a solidez das instituições econômico-políticas.” O ministro também defendeu a necessidade de modernização das normas de finanças públicas, citando o debate em torno do redesenho das emendas parlamentares como exemplo da complexidade que exige maior rigor contábil.
Na mesma linha, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, alertou para a dimensão e a responsabilidade que envolve a gestão dos recursos públicos. Em sua avaliação, as compras públicas em todos os níveis da federação atingiram R$ 1,1 trilhão em 2025 — o equivalente a 10% do PIB —, volume que, segundo ele, “serve para retroalimentar políticas públicas” e que, quando mal gerido, prejudica diretamente o planejamento dessas políticas.
CFC defende reforma do marco legal da contabilidade pública
O presidente do CFC, Joaquim Bezerra Filho, apresentou no Summit uma visão abrangente sobre a necessidade de atualização da legislação contábil. Para ele, a lei do direito financeiro precisa ser reformulada de modo a contemplar a contabilidade patrimonial, orçamentária e financeira em um único instrumento normativo, promovendo maior equilíbrio fiscal e redução das assimetrias regulatórias. A proposta vai ao encontro dos esforços que o CFC vem desenvolvendo para fortalecer a base legal da profissão e ampliar sua contribuição para a transparência do Estado brasileiro.
Tecnologia, direito e contabilidade: desafios comuns
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, trouxe ao debate a convergência entre contabilidade, direito e novas tecnologias. Para o ministro, tanto o direito quanto a contabilidade enfrentam o desafio de normatizar e racionalizar o uso da inteligência artificial, tornando esse processo funcional e seguro para a sociedade.
Um marco para a contabilidade brasileira
Com foco em infraestrutura resiliente, transformação digital e governança sustentável, o Summit de Lisboa se consolida como um marco na agenda de internacionalização da contabilidade brasileira. Ao reunir vozes de peso do Judiciário, do controle externo e do setor privado em torno de temas que impactam diretamente a profissão, o CFC demonstra que a contabilidade é peça central na construção de um ambiente de negócios mais transparente, seguro e eficiente.
O CRCAM acompanha com atenção e orgulho essa trajetória, reconhecendo no Summit de Lisboa um reflexo do compromisso permanente do sistema contábil brasileiro com a qualificação, a modernização e o fortalecimento da profissão em âmbito nacional e internacional.


