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Comissão ESG do CRCAM lança boletim sobre queimadas, fumaça e qualidade do ar no Amazonas

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A Comissão ESG do Conselho Regional de Contabilidade do Amazonas (CRCAM) publicou a terceira edição do seu Boletim Informativo, com o tema “Queimadas, fumaça e qualidade do ar no Amazonas: panorama, impactos e recomendações ESG”. O documento analisa a crise de focos de calor e fumaça registrada no estado em setembro de 2026 e propõe ações concretas para o poder público, as empresas, os profissionais da contabilidade e a população.

Um setembro de recordes negativos

Segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) reunidos no boletim, o Amazonas registrou 3.365 focos de calor entre 1º e 24 de setembro de 2026, contra 942 no mesmo período de 2025, um aumento de 257%. No acumulado do ano, o estado já superava 5,7 mil focos. Os registros se concentram na Região Metropolitana de Manaus e no sul do estado. O caso mais grave ocorreu em Iranduba, onde o fogo atingiu cerca de 700 hectares entre os dias 23 e 24.

A fumaça teve efeito direto sobre a capital. Em 23 de setembro, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou pico de 324,1 µg/m³ de material particulado fino (MP2,5), mais de 20 vezes a referência da Organização Mundial da Saúde. Naquele dia, Manaus figurou como a cidade com o pior ar do mundo na comparação diária da plataforma IQAir. O cenário foi agravado pela seca: choveu apenas 1,2 mm na capital entre 1º e 24 de setembro, quando a média esperada era de 79 mm.

Saúde, escolas e trabalhadores

O boletim destaca que a rede estadual registrou 132 atendimentos por queixas respiratórias ligadas à fumaça entre julho e setembro. Estudos citados no documento associam a exposição ao MP2,5, entre 2018 e 2023, a cerca de 2.048 mortes por doenças circulatórias e 839 por doenças respiratórias em Manaus. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas estão entre os mais vulneráveis, assim como os trabalhadores que atuam ao ar livre.

Decreto proíbe o uso do fogo por 120 dias

A publicação explica as medidas do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, que proíbe o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias, inclusive a queima controlada já autorizada, com exceções previstas para ações públicas de combate e para o uso tradicional por povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. O decreto também classifica a qualidade do ar em cinco níveis e define medidas de saúde para cada faixa. O boletim traz ainda um quadro com os órgãos responsáveis e os canais de contato e denúncia.

O papel da contabilidade

Além dos impactos ambientais e sociais, a Comissão ESG chama atenção para o custo econômico das queimadas. A poluição causada pelo fogo custa ao SUS, em média, cerca de R$ 17,6 milhões por ano apenas em internações cardiorrespiratórias na Amazônia Legal e no Cerrado setentrional. Para as empresas, queimadas e fumaça representam risco físico climático, que afeta a saúde dos trabalhadores, a continuidade das operações e a reputação.

Nesse contexto, o boletim lembra que as normas NBC TS 01 e NBC TS 02, do Conselho Federal de Contabilidade, orientam a divulgação desses riscos, obrigatória para companhias abertas a partir dos exercícios iniciados em 2026. Cabe à contabilidade apurar os custos de cada evento, apoiar o orçamento da saúde e da defesa civil para a estiagem e dar transparência aos recursos aplicados em prevenção e combate.

Campanha e checklist para empresas

Entre as propostas, a Comissão ESG lança a campanha “Empresas do Amazonas contra as queimadas”, que convida escritórios contábeis, entidades parceiras e empresas a assumir compromissos públicos, como não realizar queima de resíduos, orientar trabalhadores, criar protocolos para dias de ar “ruim” ou “péssimo” e apoiar projetos de prevenção.

O documento também apresenta um checklist ESG com 15 indicadores, divididos em governança, ambiental, social, gestão de riscos e transparência, para que as organizações avaliem seu nível de preparo durante o período de estiagem e fumaça.

Orientações à população

O boletim reforça que a população deve consultar a qualidade do ar pela plataforma Selva (www.appselva.com.br) ou pelo aplicativo SelvaApp antes de sair de casa. Nos dias de ar ruim, a recomendação é evitar exercícios ao ar livre, manter portas e janelas fechadas e usar máscara PFF2/N95 bem ajustada. Em caso de falta de ar intensa ou dor no peito, a orientação é acionar o SAMU pelo 192. Queimadas podem ser denunciadas pelos telefones 190 ou 181.

O boletim é assinado por Stephanie Negreiros dos Santos, Kathleem Samira da Silva Machado e Redvânia Vieira Xavier, integrantes da Comissão ESG do CRCAM.

Leia na íntegra

A terceira edição está disponível na página Boletim Informativo do site do CRCAM, ao lado das edições anteriores, sobre e-lixo e mudanças climáticas.

Acesse: https://www.crcam.org.br/boletim-informativo/